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Mars To Travel

3 destinos, 3 ilhas: Ilha do Sal, Cabo Verde

Visitamos 3 ilhas de Cabo Verde, durante duas semanas em Novembro de 2019. Passamos pela Ilha de Santiago, Boa Vista e a última paragem foi a Ilha do Sal. A ilha dos turistas. 

Voamos cedo, desde a ilha da Boa Vista, num voo que nos custou pouco mais de 50€, e que apenas durou 10 minutos. 

Na chegada, fomos recebidos pelo nosso taxista com um simpático “bem-vindo a Cabo Verde, no stress”. Rapidamente percebemos que é o cumprimento estandardizado para abordar os turistas, enquanto os locais se cumprimentam com o típico, e muito mais cool, “tudo dret?”.

Mais uma vez, encontramos um ambiente diferente do que nas ilhas anteriores, dando a clara noção de que cada uma vive ao seu ritmo, o que nos fez ainda mais querer explorar outras ilhas do arquipélago, como o Fogo, Maio ou Santo Antão.

Santa Maria

O nosso alojamento levou-nos ao limite da zona este da cidade de Santa Maria, onde alugamos um pequeno apartamento numa rua meia abandonada. Se por um lado uma pequena cozinha permite poupar algum dinheiro em refeições, por outro sentimos desde logo falta da vida local à nossa volta. O apartamento fica a alguns quarteirões da praia de Santa Maria, acerca de 6 minutos a pé do centro, bem junto ao o Mercado Municipal, numa zona residencial da cidade cabo verdiana, bem longe dos hotéis e outros alojamentos de luxo. 

Largamos as malas no apartamento e saímos a pé para explorar a cidade. 

Fomos automaticamente levados até a zona à volta da praia de Santa Maria, onde começamos por explorar a rua 1º de Junho, rua mais central e conhecida pelos vários restaurantes, lojas e bares que se fazem encher de turistas. 

Esta rua pedonal foi reestruturada em 2018, convidando ainda mais turistas de resort a explorar esta zona de Santa Maria, o resultado é uma zona ‘’europeizada’’, com edifícios bastante diferentes da zona mais residencial.

Enquanto na Boavista o turismo em massa se restringe a meia dúzia de resorts espalhados pela ilha, aqui encontramos uma faixa cheia de hotéis, apartamentos, restaurantes e bares junto à praia. A margem da praia transforma-se numa zona balnear com esplanadas direcionadas para o mar, música mais ‘’comercial’’ nos bares de fachadas abertas.

As lojas de grande montras e organizadas, denunciam a sua fraca autenticidade, os restaurantes que servem hambúrgueres ou que têm ementas em todas as línguas tornam o ambiente um pouco superficial, interferindo com a essência local, dificultando as escolhas de quem quer experienciar, de facto, a cultura local. 

Já os vendedores locais têm uma abordagem mais persistente, quando comparados com as outras ilhas que visitamos, o que torna a procura de um souvenir local uma atividade menos tranquila, apesar da apropriação do lema “no stress” pela ilha. 

A antagónica ‘’vida de consumo’’ que se vive ali, quando comparado com os quarteirões anteriores dá-nos um impacto visual que tem um efeito pesado quando pensamos que dali até a praia é território dos que visitam a ilha.

O feeling foi quase como se se tratasse de dois mundos diferentes. 

Um dos poucos sítios onde a atividade local e a atividade turística parece conviver em relativa harmonia é a passadeira de madeira no centro da praia de Santa Maria. 

Neste local os pescadores largam durante uma boa parte do dia os peixes apanhados no mar, enquanto outros os preparam com uma faca para venda. 

Este mercado de peixe improvisado onde se vê todo o tipo de pessoas a abastecer-se ali, este mercado que abastece restaurantes, locais e também alguns turistas.

Este passadiço é também um local de diversão para os mais jovens, que se lançam à água através da estrutura, as imagens falam por si 😉

Ao lado dos barcos de pesca, há pequenos barcos a chegar e sair para cursos de mergulho ou para outros passeios turísticos. Toda a atividade com a água cristalina do mar à volta torna o lugar único.

Aqui, podes fazer imensas atividades aquáticas desde surf, windsurf, snorkeling: tanto contratando aulas como alugando material. 

Mal se pisa o areal é impossível não querer correr em direcção ao azul turquesa bem vivo. Achamos a praia muito apetecível e de cores únicas, cheia de vibe e que em nada fica atrás do mar das caraíbas. 

Onde comer?

Em Santa Maria comemos muito bem, tentamos explorar ao máximo antes de escolher onde ir, questionando quem ali vive dos lugares onde experimentar a cozinha local. Em todas estas opções vimos locais enquanto consumidores, o que nos deu bastante confiança. 

D’Angela: Este restaurante simples, virado para o mar serve ao almoço um buffet bastante variado, mas também tem pratos à carta.  Nós comemos polvo e garoupa grelhados (1200 escudos cada), porque foram as recomendações que nos deram, e mão ficou àquem. O peixe era bastante fresco, e o polvo estava optimo!

Este local também é fixe para ficar a ler ou beber algo fresco durante ou ao fim do dia, tem uma simples e apetecível explanada em cima da área. 

Café Criolo: As recomendações deste sítio falavam de duas coisas, os pequenos-almoços de cachupa e omolete (250 escudos) e a lagosta suada. Fomos lá pelas duas coisas, em dias diferentes, e não desapontou.

A famosa lagosta suada à Cabo Verde, é cara, mas dividimos o prato, era uma espécie de ‘’ensopado’’ de lagosta e era mesmo muito bom. 

Cam’s: Este restaurante fica junto ao mercado de artesanato, é conhecido pelos locais pelas diárias. São simples, boas e por 600 escudos comes o prato do dia, bebida e sobremesa – o ponto alto deste restaurante que também se distingue pelo atendimento simpático. 

Barracuda: Este restaurante fica em cima do areal, a poucos metros da água e tem um ambiente muito amoroso. A esplanada está forrada de palmeiras, e podes jantar literalmente com o pé na areia. A menina que nos recomendou o sítio avisou logo que o atum do chefe com redução de frutas tropicais era o melhor prato, e não desiludiu. Como entrada tivemos uma experiência: provamos as cracas, e ficamos bastante surpreendidos com a frescura deste petisco (também muito consumido nos Açores). Este jantar não nos custou mais de 3000 escudos. 

Gira Mondo: Uma gelataria típica italiana, com gelados muito bons, frozen yogurt e tudo aquilo a que estamos habituados, like, crepes e waffles. 

Bar di Nos: Esta é uma churrasqueira familiar, onde tudo se passa num pequeno pátio a porta de casa, com o grelhador na borda da estrada. Podes comer atum grelhado por 500 escudos, ou frango de churrasco por 350 escudos. Passamos aqui todas as noites com vontade de lá, porque o ambiente era muito autêntico.

Beber um copo?

Existem muitos outros locais que poderia destacar, com música ao vivo logo da rua 1º Junho, mas são tantos e tão fáceis de encontrar que não vale muito apena. Vou apenas destacar um, pela sua simplicidade: 

One Love Reggae Bar: Este bar fica um rooftop na rua 1º de Junho, é uma bar muito simples e bastante cuidado, onde se pode beber enquanto se ouve reggae e se vive o mantra do ‘’no stress’’. Gostamos deste bar, o atendimento é super simpático, e aproveitem para experimentar o grogue da ilha. 

Onde comprar?

Basta passear pela Santa Maria, rapidamente serás abordado por alguém a querer convidar-te a visitar a loja de souvenires que lhe pertença, existem imensas lojas na rua 1º de Junho. 

A maioria serão senegaleses que atravessaram o Atlântico em busca de trabalho na Ilha do Sal, como em qualquer parte do globo este tipo de lojas vendem todas mais ou menos o mesmo, e são muito mais caras do que as das outras ilhas que visitamos. 

Têm de ir à loja ”Portón de Nós”, de uma cabo verdiana muito simpática, em que os preços eram bastante mais baixos do que a média nesta ilha, foto abaixo. 

Outro ponto onde se podem fazer compras engraçadas é num mercado de artesanato que também me pareceu ter na sua maioria senegaleses, mas onde se encontram coisas diferentes do que nas lojas de rua. 

~Explorando o Sal ~

Optamos pelo aluguer de um carro para explorar a ilha por nossa conta. Desta forma num único dia, conseguimos conhecer melhor a ilha. Também é possível fazê-lo em tour de uma manhã. 

Alugamos o carro neste empresa e pagamos cerca de 50,00€, deixando um depósito de 150,00€.

Palmeira

Saímos de manhã em direção a vila piscatória da ilha, a Palmeira. A vila caracteriza-se pelas suas casas coloridas e as pinturas nas paredes. A beleza e o estilo natural dos cabo-verdianos está também presente nas fachadas das suas casas. 

Apesar de ser uma pequena vila, com pouco mais de um porto, está claramente preparada para as tours que ali passam, mal lá chegas, logo te confrontas com vendedoras que tentam a todo o custo vender seja o que for. 

Saindo um pouco da zona do porto, é uma vila pacata onde se consegue observar o dia-a-dia de quem ali vive. 

Buracona – Olho Azul & Miragens

Seguimos o nosso passeio para ir contemplar o chamado Olho Azul na Buracona. 

As distâncias são muito pequenas, e a estrada quase não se faz notar, a paisagem é seca, plana e completamente infértil. 

A Buracona é uma das paragens de todos os tours turísticos, tivemos de pagar uma entrada de 300 escudos por pessoa, e passar por uma loja de souvenirs até chegar a uma zona vedada e rochosas junto ao mar.

Num ponto de vista podemos observar o mar, bastante agitado nesse dia, a bater nas rochas vulcânicas. No meio daquela agitação marítima vimos uma tartaruga, que parecia algo perdida, durante uns segundos a combater o mar. 

O interesse daquele lugar é o facto de o mar, em conjunto com a costa rochosa,  ter criado uma pequena piscina natural no meio das rochas onde os turistas podem mergulhar e tirar fotos. 

O propósito da visita é também o ‘’Olho Azul’’, um ‘’fenómeno’’ criado pelo sol ao bater na água numa pequena abertura no meio das rochosas.

Seguimos caminho por uma estrada que não era mais do que rastos deixados pelos carros na superfície plana e rochosa, que é aquela zona do Sal. 

Dali íamos seguir até Espargos, a capital da ilha, mas sabíamos que um outro ponto de interesse são as Miragens, que se conseguiam observar algures no meio do nada. 

Felizmente, vimos um dos jipes da ‘’TUI’’ parado, literalmente no meio do nada e logo nos apercebemos que deveria ser ali o que procurávamos.. 

Ao olhar em direção ao horizonte nessa superfície plana, e com o sol a bater em força, cria-se um efeito de miragens ao parecer que estamos a ver um lago ao pé das palmeiras no horizonte.

Espargos

A próxima paragem foi na capital da ilha, Espargos, onde reside a maioria da população da ilha, uma vez que o custo de vida em Santa Maria é muito elevado.

Vagueamos um pouco pela pacata cidade, também ela cheia de casas de cores alegres, com muita vida na rua, um grande mercado que serve os locais, escolas, muita habitação e serviços bastante generalizados. 

Almoçamos por ali, um peixe grelhado a pouco mais de 300 escudos, cada um. 

Após este passeio por Espargos, incluindo a subida ao ponto mais alto da cidade que permite ver a ilha toda, continuamos para a baía dos tubarões. 

Shark Bay

De Espargos fomos em direcção às Salinas, para apanhar o caminho até a Shark Bay (se virem ‘’Shark Bay’’ escrito em edifícios que vos dão direcção, fiquem a saber que estão a ir na direcção errada: nessa direção só estará alguém a querer vender uma tour de modo agressivo induzindo turistas em erro). 

Mais uma vez seguimos um caminho inexistente mas sem dificuldades, até chegar a umas barraquinhas junto do mar onde alugam os sapatos para entrar na água. 

A baía é uma zona junto do mar onde a água apenas chega até aos joelhos. 

Devido a presença significativa de peixes e a temperatura da água, os tubarões optam por permanecer nesta zona. 

Para visitar os mais pequenos basta entrar uns 100 metros na água e eles nadam a volta dos nossos pés, é muito fixe!

Esta zona da ilha é mais rochosa, e é super bonita. Vale muito a pena visitar esta baía.

Murdeira & Lagoa Azul

Na Murdeira existe uma pequena ‘’vila’’ de apartamentos turísticos com uma pequena baía, muito bonita. Vale a paragem, e se gostarem curtam essa praia, vale a pena pela sua localização. 

A Lagoa Azul é uma praia de água SUPER cristalina, fica mesmo a meio de dois grandes resorts. Nós fomos até lá porque um local nos disse que o pôr-do-sol no Bikini Beach Club era imperdível. 

Ponta Preta

Por fim, visitamos a praia da Ponta Preta, já muito perto de Santa Maria, que nos fez  lembrar as praias extensas da Boavista, mas com uma água ainda mais translúcida e uma areia super branquinha!

Ainda bem que fizemos esta paragem, pois no dia seguinte voltamos para fazer praia ali. 

Era super calma, tenha ali apenas dois restaurantes. 

Apesar de por vezes a praia ser invadida por autocarros que enchiam a praia para a malta em tours beber o seu cocktail e seguir, não nos sentimos num local atulhado de gente. 

Além de nós estavam lá apenas mais 3 casais a fazer praia, e um grupo a fazer windsurf. 

Os restaurantes desta praia são baratos, pagamos menos de 800 escudos por pessoa para almoçar, e a utilização das espreguiçadeiras era gratuita.

Este foi sem dúvida o nosso local favorito no Sal 😉

Passamos os nos últimos momentos em Cabo Verde aproveitando essa praia e a água do mar, se puderem façam aqui uma paragem vale a pena (de Santa Maria são 500 escudos de táxi).

~ Nota final ~

De uma maneira geral o Sal não tem muito para se ver além das praias, acreditamos que para quem apenas busque descanso deva ser um dos destinos mais eficientes para se visitar, atendendo à sua água morna, praias lindas e temperaturas quentes. 

Enquanto turistas gostamos de ter a fantasia de que consumimos serviços e produtos locais, ao invés de dar a ganhar a investidores que venham de fora, pode ser um pouco fantasioso mas é o que tentamos sempre fazer.  

Na ilha do Sal, pareceu-nos que poucos são os cabo verdianos que lucram realmente fazem turismo, o que acaba por asfixiar os locais com preços de rendas e bens essenciais manifestamente altos para os rendimentos médios, sendo mais caros do que em Portugal. 

Pensamos que isso transporta a quem lá vive alguma exaustão face ao efeito do turismo ali, sentimos que as pessoas do Sal são extremamente simpáticas, mas também as sentimos menos abertas e apreensivas com os que não são dali, completamente o contrário da nossa experiência na Boa Vista. 

Os próprios cabo-verdianos tinham dificuldades em indicar se consideravam o turismo positivo ou negativo.

A forma que nós enquanto turistas temos para contribuir para o desenvolvimento da ilha é gastar o nosso dinheiro junto de locais, evitando os operadores turístico ou empresas de investimento estrangeiro, pelo menos nós pensamos assim.

Esperamos que este artigos vos seja útil <3

xoxo, 

Mars & Jelle

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