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Mars To Travel

Marrocos

Este era um dos meus destinos de sonho, sonhei sobre Marrocos durante anos, mesmo antes de sequer ter andado de avião.

O misticismo associado às pessoas, à sua cultura e arquitectura deixavam-me intrigada e cheia de vontade de experienciar aquele que me parecia ser um país tão rico.

Fui a Marrocos em Dezembro de  2009, e é certamente um dos locais sobre os quais mais sonho em voltar – espero poder escrever sobre isso em breve, quem sabe, ainda este ano.

Foi a minha primeira viagem, e o primeiro momento em que desafiei a minha visão do Mundo – daí a escolha para primeiro post.

Lembro-me bem de não ter qualquer receio de ir em busca deste país sobre o qual pouco sabia. Lembro-me sim, de estar super ansiosa e curiosa com o que aí vinha. 

Identifico isso, agora, como o mais puro sintoma do meu único vício – as viagens.

Em 2009, ainda não haviam voos directos para Fez, assim partimos de Lisboa, com uma pequena escala em Madrid, rumo a Marrocos, para 9 dias de aventura, que passou por Fez, Merzouga, Ouarzazate, e Marraquexe.

 

Este foi mais ou menos o roteiro da altura, que começou em Fez e terminou em Marraquexe.

Fez

Fez é uma cidade antiga, Património Mundial da UNESCO e antiga capital de Marrocos.

O principal ponto de interesse desta cidade fixa-se na sua Medina, e nas suas ruas estreitas, o cheiro a pele tingida e as cores dos antigos edifícios.

Por lá não passam carros, apenas burros – portanto não estranhem a sua presença.

No exterior da Medina, temos uma cidade que se foi desenvolvendo com algum modernismo, até um Mc Donalds lá existe. 

O Bab Bou Jeloud é a entrada principal da Medina Fez, esta porta da cidade é majestosa e cheia de cor, e serve de convite à entrada.

A Medina nada mais é do que um aglomerado urbano, protegido por muralhas, e normalmente com uma mesquita no seu coração. As ruas são uma espécie de puzzle, estreitas e com edifícios, alguns de habitação outros de comércio – é aqui que encontramos artesãos de peles ou tapeçaria.

Cerâmica é um dos pontos fortes da zona, a olaria local é vulgarmente conhecida pela cor azul que a torna tão típica. 

Mas, de todos os produtos que aquela Medina (ou qualquer outra) oferece, os candeeiros são os meus favoritos (!!!) – queria trazê-los todos!

As Tinturas de Fez são as principais responsáveis pelo cheiro que se sente em toda a cidade, tingem-se peles de cabra e carneiro, que são utilizadas para fazer malas, tapetes e outros artigos em pele. Existem 3 tinturarias nesta Medina, e são um ponto turístico obrigatório.

Mas não só, têm também um papel importante na comunidade, pelo emprego que criam para as gentes de Fez.

Para as meninas, é na medina que vamos poder encontrar as bijutarias mais incríveis e a melhor preço, mas não se esqueçam de negociar – em Marrocos quem não regateia preços não se safa 😉

As ruas são incríveis, dá-nos a sensação de que a cada beco existe algo para contemplar, sendo que -para mim – as típicas portas marroquinas são o que merece maior destaque.

Nós fizemos uma pequena tour pela Medina com um guia, e valeu a pena, tendo em conta que os caminhos labirínticos merecem alguma orientação. 

Esta foi a cidade que mais impressionou, e não há descrição que lhe faça justiça.

Ficamos alojados num género de riad, perto da cidade, uma tradicional casa marroquina com pátio interior, e aconselho a ter experiência pelo menos uma vez durante a viagem. 

Alojamento: com uma rápida pesquisa no Booking.com/fez conseguirás encontrar dormida desde 5€ pp, em alojamentos com avaliações óptimas!

Fomos de Fez a Merzuga de carro, com uma dormida pelo caminho.

É uma viagem pesada, apesar de o Google Maps estimar quase 8 horas de viagem, durará mais tempo, tendo em conta tanto o tipo de estrada, como os limites de velocidade que devem ser respeitados (os marroquinos têm fama de adorar multar turistas). 

Além disso, este trajecto tem paragens obrigatórias, têm de ter tempo para contemplar todas as belas paisagens que cruzam este caminho – desde o deserto às montanhas do alto Atlas cobertas de neve. 

As primeiras paragens são Ifrane e Azrou, conhecidas pelo seu nevoeiro extremo, e a Floresta do Cedro Gouraud conhecida pelos seus altos cedros, onde se avistam imensos macaquinhos que ali vivem.

No decorrer desta viagem atravessamos a cordilheira do médio Atlas até ser possível avistar cordilheira alto Atlas – o que nos dá uma sensação de atravessar as 4 estações do ano numa viagem de algumas horas.

A próxima paragem para a típica foto foi no conhecido vale do Rio Oued Ziz Ziz, com vista para a cidade de Errachidia, o qual tem cenário de perder o alcance, e dignas de cenário de filme.

Já mais próximos do nosso destino somos contemplados com quilómetros e quilómetros de deserto em terra seca, sem qualquer estrada ou direcção e com um horizonte infinito. 

Por vezes eram vistos pequenas placas a indicar a direcção de determinado Hotel, nas bermas da estrada, mas a verdade é que à vista não se alcançava absolutamente nada, a não ser o deserto. Mas não se preocupem, os Hotéis estão lá, ficam é no meio do nada 🙂

Esta foi uma sensação de liberdade, e de estar algures no meio do nada, que eu nunca mais vou esquecer. 

A experiência é arrebatadora, e penetrante. Sente-se uma paz incrível ali, e não se consegue explicar o porquê de tal sentimento. E depois, depois de decorridos alguns quilómetros em direcção ao hotel que não se alcança à vista, chegamos a Merzouga e às dunas – absolutamente lindo. 

Merzouga

Merzuga é uma aldeia, mesmo junto ao deserto do Saara. Aqui, tive pela primeira vez a sensação de estar em pleno deserto de areia super fina, com dunas de perder a vista, é uma sensação incrível. 

No que toca a actividades, pode-se fazer passeios de dromedário, dormir em tendas no deserto ou fazer passeios de jipe pelas dunas. 

E se isto não fosse incrível o suficiente, assim que cai a noite avista-se um céu completamente estrelado e merecedor de máxima contemplação. 

Nenhum céu é tão incrível como o do deserto em Merzouga, pelo menos até hoje não vi nenhum tão incrível. 

Junto ao hotel onde ficamos existiam ainda algumas casas da aldeia, as pessoas que ali vivem, na sua maioria, do turismo e é normal que crianças pequenas nos tentem vender algumas pulseiras ou outro tipo de recordações locais.

Para os que não conseguem resistir às crianças, como eu, levem artigos escolares como marcadores e cadernos para oferecer, ou simples rebuçados, elas vão ficar-vos agradecidas e garanto – vão pedir-vos mais.  

Alojamento: com uma rápida pesquisa no Booking.com/merzuga conseguirás encontrar dormida desde 6€ pp, em alojamentos com avaliações óptimas!

Na altura ficámos alojados no NasserPalace Hotel & Bivouacs, literalmente a escassos passos das dunas do deserto, e adorei o alojamento. Tinha pequeno almoço incluído, e piscina. E ali passamos a noite de natal, em 2009.

Aconselharia este alojamento, mas os comentários recentes não entusiasmam muito. 

Ouarzazate

A viagem para Ouarzazate foi feita de carro, tendo durado praticamente um dia inteiro.

Nesta zona são possíveis de avistar várias oasis, que farão com que queiras parar o carro várias vezes para poderes contemplá-los. 

Ficámos alojados pertinho do Casbá de Ait Ben Haddou, que visitamos no dia seguinte, e ainda tivemos tempo para um saltinho aos Estúdios de Cinema Atlas, e à cidade. 

Pessoalmente adorei visitar a Casbá de Ait Ben Haddou, visualmente é super pitoresco, basicamente é uma cidade antiga, construída em barro, palha e madeira, cercada por muralhas construídas da mesma forma. Este monumento carregado de história é Patrimônio Mundial da Unesco, e um ksar foi importante na rota comercial entre Marraquexe e o Sudão. 

O Casbá ocupa um monte, que se envolve em palmeiras e um pequeno riacho que atravessa a sua frente, tendo sempre em vista o Alto Altlas e o seu cume cheio de neve. 

Vale a pena pernoitar nesta zona para poder apreciá-la com a calma merecida, tentando ficar num dos alojamentos com varanda voltada para o ksar – aproveitando a melhor vista possível ao pequeno-almoço. 

Outra coisa imperdível é a contemplação do Casbá, tanto no nascer do dia, como no final, e até em noite cerrada – Marrocos tem sem dúvida o melhor céu estrelado que alguma vez vi (Sim, eu sei já mencionei isso)

Ao contrário de Merzouga, aqui há imensas lojinhas de souvenirs, ou oficinas de tear onde se pode comprar tapeçaria.

A melhor compra que fiz em toda a viagem foi aqui, uma Tajine que ainda hoje é ‘’viva’’ e super útil. 

Caso não acreditem, perguntem aos sortudos que já provaram os meus pitéus lá em casa, como frango de limão ou borrego de ameixa. 

Na cidade de Ouarzazate, aconselho o mercado de Domingo (souk), mas também há um mercado diário que começa todos os dias por volta das 6 da manhã. 

Visitar mercados, seja onde for, será sempre uma das experiências turísticas mais autênticas, pode-se testemunhar o que consomem os locais, que produtos tem o mercado, e quem sabe adquirir também alguns produtos para o resto da viagem.

Outra coisa a fazer nesta cidade é visitar o Oásis Fint.

Alojamento: Ficamos hospedados Hotel La Kasbah, pertinho do Casbá de Ait Ben Haddou. Desafio-vos a procurar no Booking.com/Ouarzazate, conseguirão encontrar opções desde 8€ pp. 

Marraquexe

De Ouarzazate fomos para Marraquexe, a paragem que mais esperava. Também conhecida como a Cidade Vermelha, Marraquexe é viva e cheia de cores, o impacto é inegável. 

O principal destaque, dou-o à Praça Jemaa el-Fna, e a mesquita La Koutoubia. 

Na chegada a esta praça sente-se o impacto da rotina diária da cidade em quem a visita, não perdendo de vista a azáfama do dia a dia nesta cidade. 

A música que se ouve, o chamamento para a oração escutado 5x ao dia, e a vida que se sente em toda a praça são a alma da cidade.  

Durante o dia a tal azáfama sente-se nos imensos guias a oferecer os seus serviços a turistas; nos comerciantes do souk, encantadores de cobras; tatuadores de henna; marroquinos com vestes tradicionais que tentam cobrar dinheiro a troco de fotos; ou vendedores de tudo e mais alguma coisa. 

Com o pôr do sol, recomendo subir até ao Grand Balcon du Café Glaciero apreciando a vista sobre a praça. 

Assim que anoitece, o espírito da praça muda completamente, a praça enche-se de barraquinhas de comida, tornando-se o paraíso para quem adora streetfood. 

A Medina de Marraquexe e o seu mercado (souk) são o outro ponto alto da cidade. As ruas labirínticas, cheias de comércio de tecidos, especiarias, cerâmica ou tapeçaria têm tanto de belo como de impressionante. Maior do que a medina de Fez, esta além de ser manifestamente mais concorrida é também mais virada para o turista. 

Ben Youssef Mosque é mais uma paragem obrigatória da cidade, o seu pátio vai com certeza fazer as delícias de quem  adora tirar fotografias.

Ficaram muitas coisas por fazer, voltando a Marraquexe são paragens obrigatórias o Jardim Majorelle; Anima, e Le Jardin Secret.

Surpreendam-se mas Marraquexe é um excelente destino para quem gosta de sair a noite, uma das sugestões possíveis é o moderno e cosmopolita bairro Hivernage, aqui podem encontrar, restaurantes, bares e até um casino.

Alojamento: Ficamos hospedados  La Palmeraie Village Appartement. Desafio-vos a procurar no Booking.com/Marraquexe, conseguirão encontrar opções desde 15€ pp. 

Tendo em conta que esta viagem foi feita há 10 anos, existem muitos pormenores que se foram perdendo, e sem dúvida foi um desafio enorme rever tudo isto. Espero que tenham gostado, segunda-feira há mais!

xoxo, 

Mars

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